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DIAS 22, 23 e 24
FESTA DO CINEMA FRANCÊS NO SBC
Filmes em ante-estreia nacional, legendados em português
Desconto EXCLUSIVO para sócios do CCF
6 filmes pelo preço de 4: 20€
(passe a ser adquirido até dia 20 nas bilheteiras do SBC, contra apresentação do cartão de sócio com as quotas em dia)
Organização Instituto Franco-Português, Alliance Française do Algarve e Cineclube de Faro
INFORMAÇÕES SOBRE OS FILMES EM
www.ifp-lisboa.com/Site_2004
6ªF, DIA 22, 21H30
Agents Secrets, Frédéric Schoendoerffer, com Monica Belluci e Vincent Cassel
SÃB, DIA 23, 17H15
5x2, François Ozon, com Valéria Bruno-Tedeschi e Stéphane Freiss
SÃB, DIA 23, 19H05
Blueberry, Jan Kounen, com Vincent Cassel e Juliette Lewis
SÃB, DIA 23, 21H30
Haute Tension, Alexandre Aja, com Cécile de France e Philippe Nahon
DOM, DIA 24, 11H30
Le Roi et l’Oiseau, Paul Grimault, animação para crianças
DOM, DIA 24, 17H15
Feux Rouges, Cédric Kahn, com Carole Bouquet e Jean-Pierre Daroussin
DOM, DIA 24, 19H20
Deux Frères, Jean-Jacques Annaud, com Guy Pearce e Jean-Claude Dreyfus
DOM, DIA 24, 21H30
Tais-Toi, Francis Veber, com Gérard Depardieu e Jean-Pierre Daroussin
BILHETES ESPECIAIS PARA SÓCIOS DO CCF Jà À VENDA NO SBC CINEMAS/FÓRUM ALGARVE
A ADQUIRIR ATÉ DIA 20!!
Dia 21 - Gala de Abertura com o filme Les Choristes, Christophe Barratier, na presença do realizador
Sessão exclusiva a convidados, entre os quais os 150 sócios do Cineclube de Faro mais assÃduos a sessões do CCF.
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Dia 8
Christophe Honoré, Adaptação do romance homónimo de Georges Bataille, França, 2004, 110’
Site oficial português
SINOPSE
Pierre, um adolescente de 17 anos, tem um amor cego pela mãe, mas ela não está disposta a assumir o que o filho projecta dela. Recusando ser amada por aquilo que não é, ela decide quebrar o mistério e revelar a sua verdadeira natureza - a de uma mulher para quem a imoralidade se tornou um vÃcio. Pierre pede para ser iniciado por ela no deboche e deixa-se levar até ao limite em jogos cada vez mais perigosos...
CRÃTICAS
Poderoso e corajoso. MINHA MÃE, a segunda longa-metragem de Christophe Honoré, é uma boa surpresa. Bataille, com reputação de inadaptável para o cinema, ganhou vida repentinamente, incarnou-se perante os nossos olhos. Não importa a que ponto o romance é ou não fiel ao romance de origem, o essencial é que a interpretação de Honoré faça sentido.
O cineasta transpôs a acção do romance para os nossos dias e para as ilhas Canárias, um desses complexos turÃsticos de massas que florescem em Espanha: uma arquitectura cuja simples visão, inumana, assustadora, basta para desejar mergulhar no inconsciente para se perder. Desde os primeiro planos aos abanões da câmara que sobrevoa estas paisagens de betão que estamos já no centro da história. […]
Pierre e a mãe procuram um absoluto no qual o erotismo é apenas um instrumento. Não é só uma questão de prazer, mas de abjecção, de pureza, de sede, de medo da morte. A mãe não é a santa que Pierre acredita e desde que o pai morre misteriosamente (nunca saberemos porquê, como no livro) ela vai provar-lho. É a verdade que está aqui em causa, a verdade obscura ou que cega, não é psicologia barata. A mãe é alcoólica, vive no deboche, entrega-se sem complexos, sem limite. […] E decide iniciar Pierre no deboche, confiá-lo a outras mulheres que o vão conduzir a jogos cada vez mais perigosos para os quais ele não está preparado. Não vamos qualificar estas cenas, porque há palavras estereotipadas que sujam as imagens, que retiram toda a força aos actos, que marginalizam de imediato quem os comete. Sexuais, sim, mas sobretudo transgressivas. E é esse o grande mérito de Honoré: ter conseguido salvaguardar o essencial de Bataille, a transgressão, adaptada para a nossa época (nomeadamente no que diz respeito à ocultação da dimensão cristã de Bataille - mas a morte de Deus não exclui a procura do absoluto). As imagens transportam-nos para zonas ‘infilmadas’ até hoje num filme, que vão longe, muito mais longe que ‘Ken Park’ ou o último filme de Catherine Breillat, ‘Anatomie de l'enfer’.
JEAN-BAPTISTE MORAIN, LES INROCKUPTIBLES
Um casting tão prestigiado como heterodoxo, em que brilha na primeira linha a grande Isabelle Huppert, escoltada de um jovem actor sobredotado, Louis Garrel, uma actriz de grande público que ainda estava à espera de um grande papel, Emma de Caunes, e uma Ãcone do underground, Joana Preiss, manequim e modelo da fotógrafa Nan Goldin. [...] Honoré leva este pequeno mundo para fora, para uma zona franca perto do inconsciente, sem fazer, no entanto, um emprego abusivo. Honoré tem esta particularidade natural de amar os actores por aquilo que são, o meio de onde vêm e pelos cruzamentos inesperados que podem criar. [...] Teve a loucura de querer filmar esta história de um amor (meta)fÃsico entre um filho e sua mãe, viúva alegre e decadente. Sempre se disse que a lÃngua de Georges Bataille escapava à representação, que não poderia existir solução para restituir em imagens o segredo de uma literatura em que a nudez se abre sobre uma vertigem mÃstica. E isso o realizador de ‘17 fois Cécile Cassard’ está bem colocado para o saber: é também escritor. E sabe também que MINHA MÃE é um livro que Bataille deixou inacabado, cheio de pontos de suspensão. Um texto que só pede para que um filho se apodere dele. Nos espaços em branco de MINHA MÃE, Honoré colou, como uma criança que cola nas paredes do quarto, as suas próprias referências: escritores contemporâneos (Denis Cooper, Don Delillo, Sarah Kane,...), um estilo actual (o filme decorre em 2004) e questões que um jovem de hoje se pode colocar. Bataille produz terror? Honoré, com a sua humildade e a sua inteligência, filmou como um filho. Do ponto de vista do atemorizado, da fraqueza, da inocência e da necessidade de trair. De repente, a questão do filme pertence muito menos a Bataille e muito mais a Honoré e aos da sua geração (tem 34 anos): o que é ser hoje um filho, em termos de sobrevivência?
Não é por acaso que o filme é conseguido sobretudo pelas liberdades que se permitiu face ao texto original. Assim, a ideia (forte) de transportar a acção para as ilhas Canárias, destino turÃstico que vende uma utopia de sexo fácil e céu demasiado azul. Levar o prazer batailliano, inseparável da ideia de transgressão, para um local que é como uma caricatura de uma sociedade que já permitiu tudo, já normalizou tudo, era um grande risco. E o filme sai vitorioso deste risco.
O outro risco estava relacionado com a forma de encontrar o erotismo. PoderÃamos pensar que o resultado fosse fraco, recusando Honoré a composição de grandes planos explÃcitos. Percebemos agora que permanecendo à distância, em plano geral, ele não suprimiu a carga sexual, mas expandiu-a para todo o plano. O fetiche aqui não é o órgão sexual, mas sim os olhos, o branco dos olhos, janela onde jaz o cansaço, o terror e a alegria incomensurável.
Como que descendendo de um Buster Keaton, o rosto de Pierre (Louis Garrel) tem uma espécie de burlesco, irresistÃvel e perdido, o de um órfão em plena solidão filosófica, à volta do qual começam a surgir atrelados deliciosamente obscenos. A mãe (Isabelle Huppert), inatingÃvel, branca, cheia de prazer e cruel; a mãe e Réa (Joana Preiss, indecente e magnÃfica), casal de putas eléctricas; Hansi e Loulou, o pequeno pedófilo, cruel e submisso (Jean-Baptiste Montagut, que parece saÃdo de um Larry Clark). E ainda a mãe só, máquina depravada, celebrando a sua viuvez no meio de uma equipa de jogadores de rugby encalorados. No centro, Pierre, astro frio como a morte, sério como um papa, intacto como uma imagem, que só teme uma coisa: quebrar o último laço que o une à sua mãe.
Philippe Azoury, Lilbération
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REALIZAÇÃO
Christophe Honoré
A partir do romance de GEORGES BATAILLE
DIRECÇÃO DE FOTOGRAFIA
Hélène Louvart
SOM
Jean-Claude Brisson
MONTAGEM
Chantal Hymans
ASSISTENTE DE REALIZAÇÃO
Sylvie Peyre
CASTING
Richard Rousseau
DECORAÇÃO
Laurent Allaire
GUARDA-ROUPA
Pierre Canitrot
MAQUILHAGEM
Delphine Jaffar
INTERPRETAÇÃO
Isabelle Huppert (Hélène)
Louis Garrel (Pierre)
Emma De Caunes (Hansi)
Joana Preiss (Réa)
Jean-Baptiste Montagut (Loulou)
Dominique Reymond (Marthe)
Olivier Rabourdin (Robert)
Philippe Duclos (o Pai)
ORIGEM
França, 2004
DURAÇÃO
110'






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Dia 15
Anne Fontaine, França/Espanha, 2003, 105’
Site oficial português
SINOPSE
Um homem e duas mulheres, que partilham um segredo inconfessável. Uma história de sedução e mentira em que todos ficarão a perder. É a história de duas mulheres : uma é casada, burguesa; a outra trabalha numa casa de alterne. Catherine paga a Marlène para dormir com o marido dela que a engana. E ela quer saber todos os detalhes. Catherine transforma Marlène em Nathalie, aquela que mente. Esse é o segredo delas, a sua história.
CRÃTICAS
Não é inteiramente banal, esta ‘Nathalie’. Cena de abertura: Gérard Depardieu a vestir-se no que parece um quarto de hotel (mas não precisa de ser), a porta da casa de banho entreaberta, som de um chuveiro indicando que alguém pode estar no duche. Nenhuma explicação imediata da situação, a ‘acção’ só arranca mais tarde. Não é um começo banal de filme. E ainda menos o é porque, se ninguém dos diz se está ou não alguém no duche e quem é que lá está, é a possibilidade que é importante: em ‘Nathalie’ filma-se menos uma coisa que aconteça do que a possibilidade de uma coisa acontecer. Levemente paranóico, sem dúvida, igualmente um pouco perverso. Um pouco como ‘De Olhos Bem Fechados’, de Kubrick, o filme de Anne Fontaine são cenas de um casamento habitadas pela suspeita (o que pode estar a acontecer) e pela sua transformação em fantasia (o desejo de que algo esteja realmente a acontecer).
Também, como o filme de Kubrick, não é para ser ‘realista’. Tem-se criticado a inverosimilhança da situação principal de ‘Nathalie’: Fanny Ardant, incomodada com a descoberta da infidelidade do marido (Depardieu) e consequente percepção do ‘tempo morto’ em que se transformou o casamento, contrata uma prostituta (Emmanuelle Béart) para assumir uma ‘personagem’ (de nome Nathalie) e seduzir-lhe o marido, fazendo-lhe depois pormenorizados relatos dos encontros e do que fazem quando se encontram. É esta a ‘história’, mas não é bem esta história que é importante. Antes o facto de ela lançar um mecanismo ‘ritualizado’, onde os relatos e as palavras de Béart (é tudo o que vemos e ouvimos, depois se perceberá que há boas razões para isso) funcionam como a satisfação da espécie de ‘voyeurismo auditivo’ (‘auditismo’?) da personagem da indecifrável Fanny Ardant. Nunca chegamos a perceber, também, como é que ela pensa encontrar num tal esquema uma maneira de salvar o casamento - e esse pormenor tem sido bastante criticado ao filme. Mas isso é supôr que ela age com esse intento, coisa de que nada nos assegura (muito menos o rosto sempre ‘branco’ de Ardant, no seu melhor papel em muitos anos), e talvez mais valha supor que ela age por e para si própria. Tudo é incerto em ‘Nathalie’, das motivações às palavras, e às próprias personagens (Depardieu, por exemplo, é quase sempre uma sombra ao fundo, preenchida pelo olhar e pelo saber, falso ou verdadeiro, de Fanny Ardant).
Independentemente de o que acontece lá mais para o final ser demasiado previsÃvel ou não, a lógica é inatacável: confirma que o que conta tem muito pouco a ver com o que realmente acontece ou aconteceu, mas com a possibilidade de acontecer ou ter acontecido, com o esbatimento entre a fantasia e a realidade. A inspiração kubrickiana confirma-se na cena final, quando Ardant e Depardieu param diante da porta da casa aonde iam a uma festa, e ela lhe pergunta ‘e se não fôssemos?’. Em ‘Nathalie’, essa é a rima para o ‘há uma coisa que temos de ir fazer’ com que Nicole Kidman interpelava Tom Cruise no final de ‘De Olhos Bem Fechados’.
Como final de filme também não é banal - e confirma que há aqui qualquer coisa de suficientemente intrigante para que não se arrume ‘Nathalie’ como apenas mais um filme francês de ‘prestÃgio’ e vedetas a condizer. De resto, o ‘cast’ até tem algumas surpresas: aquele fulano que aparece e desaparece durante uma noite, fã dos Joy Division e amigo dos New Order, é nem mais nem menos do que Ari Paffgen, o ‘mÃtico’ filho de Nico e de Alain Delon.
LuÃs Miguel Oliveira, Público
Pensem na mais banal ficção sobre um dos mais retratados fantasmas sexuais masculinos. A saber: uma mulher, nova e radiosa, surge na vida de um homem, maduro e cansado (sobretudo cansado da mulher com quem é casado), e... devolve-lhe a satisfação perdida. «Nathalie» é mais uma variação sobre o tema. Que é como quem diz: Bernard (Gérard Depardieu) e Catherine (Fanny Ardant) formam um casal serenamente desgastado pelo tempo, pela amargura, pelas desilusões que infligiram um ao outro; até que um dia, na sequência de um encontro acidental, a deslumbrante Nathalie (Emmanuelle Béart) seduz Bernard e... ele parece reencontrar a felicidade perdida.
EstarÃamos perante um filme vulgar, e vulgarmente previsÃvel, se as coisas ficassem por aqui (eventualmente prolongando-se no desmembramento mais ou menos trágico do casal). Acontece que a história que Anne Fontaine escreveu, com Jacques Fieschi, e também realizou, vai mais além. Aliás, em boa verdade, começa antes de tudo isso. Ou seja: Nathalie só se envolve com Bernard porque Catherine lhe pede para o fazer. Não só lhe pede, como lhe paga, uma vez que Nathalie trabalha num bar de alterne e Catherine encomenda-lhe, literalmente, a sedução do marido como se se tratasse de um dos seus correntes affaires mercantis.
A selar a singularidade deste comércio de desejos, está um facto essencial em todas as histórias de amor: o nome que se adopta para o objecto amado. Mais concretamente, «Nathalie» não é nenhuma pessoa real. É esse o nome que Catherine escolhe para a sua agente amorosa (cujo nome verdadeiro é Marlène). E que tudo isto aconteça a partir de um nome que não corresponde a nenhuma personagem de carne e osso, eis o que é bem revelador (ou ocultador, se preferirem) das ambivalências que aqui se jogam. Porque, por um lado, tudo se organiza a partir da ‘materialização’ de um desejo masculino; por outro lado, esse processo de invenção e dádiva de Nathalie é gerado por um desejo feminino (de Catherine). Mais do que isso: Nathalie pode ser uma personagem impossÃvel, porque sem identidade viva, mas a sua possibilidade nasce da cumplicidade activa de duas mulheres.
Retomando uma herança genuinamente francesa, e elegantemente romanesca, que vai desde as fábulas eróticas de Jean Renoir até aos contos morais de Eric Rohmer, Fontaine faz um filme de metódica contemplação da maquinaria secreta do amor, quase policial na obsessiva desmontagem dos gestos e das poses amorosas. No final, Fontaine confronta-nos com o sublime equÃvoco que faz mover o desejo: em vez de um revelador, o desejo é o grão de areia que perverte a lógica de qualquer enlace amoroso. Que isso nos lance, não no determinismo masculino, mas numa cruel imponderabilidade feminina, eis a beleza última da aventura de Nathalie, a mulher que nunca existiu.
João Lopes, Diário de NotÃcias
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REALIZAÇÃO
Anne Fontaine
ARGUMENTO
Anne Fontaine & Jascques Fieschi
Com a colaboração de François-Olivier Rousseau
Baseado numa história de Philippe Blasband
PRODUÇÃO EXECUTIVA
Alain Sarde
DIRECÇÃO DE FOTOGRAFIA
Jean-Marc Fabre
MÚSICA
Michael Nyman
MONTAGEM
Emmanuelle Castro
DECORAÇÃO
Michel Barthélemy
SOM e MONTAGEM
Jean-Claude Laureux
CASTING
Richard Rousseau
INTERPRETAÇÃO
Fanny Ardant (Catherine)
Emmanuelle Béart (Marlene)
Gérard Depardieu (Bernard)
Wladimir Yordanoff (François)
Judith Magre (Mãe)
Rudolphe Pauly (Filho)
Evelyne Dandry (Dona do bar)
Ari Paffgen (Homem no bar)
Aurore Auteuil (Doente de Catherine)
Idit Cebula (Ghislaine)
Sacha Rukavina (Marianne)
Macha Polikarpova (Ingrid)
Marie Adam (Secretária)
ORIGEM
França/Espanha, 2003
DURAÇÃO
105'









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ENTREVISTA À REALIZADORA
Os seus filmes distinguem-se pela originalidade dos seus temas. O que a interessava na história de Nathalie?
Comecei por ler o argumento de Philippe Blasband sobre a relação entre uma mulher e uma prostituta. Era uma história de vingança, tratava-se de enganar um marido que só aparecia no fim. O que me interessava era partir de uma mulher casada que contratava os serviços de uma profissional e que vivia uma relação por procuração com o sexo. Com Jacques Fieschi, elaboramos uma história em que uma mulher, Catherine, com uma vida confortável, depois de uma traição, aluga o corpo de outra mulher para controlar a sexualidade do marido. E, como acontece com frequência, as motivações do inÃcio dão lugar a aventuras mais obscuras... Interessava-me desenvolver um tema em redor da perturbação, do desejo e criar um ‘suspense erótico’.
Como queria apresentar cada uma das personagens?
Queria que Catherine e Bernard fossem um casal em que ainda existisse algum magnetismo. Em todas as uniões com alguns anos, pode existir algum desinteresse, mas eles os dois ainda se amam verdadeiramente, isso é fundamental. Parecia-me mais perturbador e mais cruel que os dois ainda se amassem, quando Marlène se vai inflitrar na sua intimidade. Marlène aparece inicialmente como rapariga que trabalha num bar de alterne e que ‘representa’ o seu papel, sem nenhum estado
de alma especial. A partir do primeiro encontro com Catherine, ela fica perante uma ‘cliente’, uma mulher de outro mundo. Depois, descobre a sua complexidade, as suas falhas. Cada personagem aparece num papel aparentemente simples: o marido, a mulher, a puta... mas cada uma delas tem outra face.
A manipulação está no centro do filme.
É sobretudo um filme sobre o fantasma. Todos mentem: Bernard dissimula, Catherine não diz a verdade ao marido, Marlène tem o seu mistério... Não é só um jogo de manipulação, isso seria demasiado mecânico. Há uma espécie de traversia emocional, através das palavras através da proximidade com esta jovem mulher que trabalha com o corpo e consegue, como a maioria das prostitutas, diferenciar a sua sexualidade dos seus afectos. Daà a atracção de Catherine por Marlène. As putas fascinam muito mais as mulheres que os homens.
Há uma atracção perturbadora entre estas duas mulheres.
É um encontro quÃmico, não psicológico. Uma abordagem hipnótica e nenhuma controla a saÃda. Para Marlène é algo inesperado: existir face a uma ‘mulher normal’, fazer com que ela sinta coisas cada vez mais fortes. Ao contrário do processo analÃtico, a que fala faz bem a que escuta. No inÃcio, há um pacto entre elas, uma paga e a outra faz o seu trabalho, depois, pouco a pouco, as duas quebram as regras. Daà a crueldade porque ambas tentam utilizar a outra. Elas vivem uma experiência afectiva que não se parece a nenhuma outra. Uma relação que se torna cada vez mais inextricável.
Catherine é ultrapassada pela sua própria encenação.
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Texto integral [word-doc]
ENTREVISTA A FANNY ARDANT
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ENTREVISTA A EMMANUELLE BÉART
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ANNE FONTAINE
2003
Nathalie
2001
Comment j’ai tué mon père
1999
Augustin, roi du Kung-Fu
1997
Nettoyage à sec
1996
Tapin du soir
1996
L’amour est à réinventer, dix histoires d’amours au temps du sida
1995
Augustin
1993
Les histoires d’amour finissent mal… en général
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