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ALICE

  Dia 5, 21H30, IPJ

de Marco Martins, Portugal, 2005, 102’,
Na presença do realizador

Site oficial

Sinopse
Passaram 193 dias desde que Alice foi vista pela última vez.
Todos os dias Mário, o seu pai, sai de casa e repete o mesmo percurso que fez no dia em que Alice desapareceu.
A obsessão de a encontrar leva-o a instalar uma série de câmaras de vídeo que registam o movimento das ruas. No meio de todos aqueles rostos, daquela multidão anónima, Mário procura uma pista, uma ajuda, um sinal...
A dor brutal causada pela ausência de Alice transformou Mário numa pessoa diferente mas essa procura obstinada e trágica, é talvez a única forma que ele tem para continuar a acreditar que um dia Alice vai aparecer.


Nota de intenções
Interessava-me na história de "Alice" explorar sobretudo a obsessão. Alguém que perde uma filha e que, sentido-se impotente para agir, cria um sistema paralelo de funcionamento, exterior à sociedade em que vive.
Quando, à noite de regresso a casa, vemos os vídeos de Mário e toda aquela multidão anónima, em movimento continuo, já não sabemos se aquelas imagens são reais se apenas existem na cabeça de Mário.
Um rosto igual a outro rosto, uma rua igual a outra rua, um dia igual a outro dia.
A cidade como local de abstracção onde, alguém como Mário, pode estar profundamente isolado. Na procura de Alice, Mário conhece outras personagens, também elas, de alguma forma, sozinhas também elas isoladas na cidade onde vivem.
"Alice" é sobretudo um filme sobre a ausência. Uma história de amor de um pai por uma filha.
Marco Martins

Alice nomeado para prémio de melhor primeiro filme europeu
por Kathleen Gomes, Público, 24 Outubro
É a primeira vez que uma primeira-obra portuguesa é finalista. O trabalho de Marco Martins foi já visto por quase 15 mil espectadores em Portugal Alice, primeiro filme de Marco Martins, actualmente em exibição, é um dos cinco candidatos ao Prémio Fassbinder de Revelação, uma das categorias dos Prémios do Cinema Europeu.
É a primeira vez que um filme português é seleccionado para a shortlist daquele prémio que se destina a "um jovem e emergente talento europeu". Entre os vencedores de edições anteriores contam-se La Vie de Jésus, do francês Bruno Dumont (autor dos polémicos L"Humanité e Twenty-nine Palms), em 1997, A Festa, do dinamarquês Thomas Vinterberg, em 1998, ou Recursos Humanos, de Laurent Cantet, em 2000.
Marco Martins, de 33 anos, não conhecia o historial do prémio quando ontem falou com o PÚBLICO, mas mostra-se agradado com os antecedentes - afinal, o prestígio de um prémio também é medido pela consistência das obras distinguidas. E, por coincidência, Laurent Cantet, em particular o seu segundo filme, O Emprego do Tempo, foi uma das referências para Alice, e para a construção da sua personagem central, um pai em busca da filha desaparecida (entrada de leão do actor Nuno Lopes no cinema).
Sobre a nomeação, o realizador diz que "é totalmente inesperada", mas nota que Alice tem estado em crescimento desde a sua passagem pelo Festival de Cinema de Cannes, em Maio, onde recebeu o prémio Regards Jeunes da Quinzena dos Realizadores, atribuído por um júri europeu de jovens cinéfilos. Mais importante do que isso, Alice teve um acolhimento promissor junto da crítica francesa e americana. Mais importante do que isso, Alice tem encontrado um público nas salas: em duas semanas de exibição em Portugal, foi visto por 14.710 espectadores, números acima da média para um filme português num período tão curto.


Actores e Técnicos
NUNO LOPES
Mário (pai)
BEATRIZ BATARDA
Luísa (mãe)
MIGUEL GUILHERME
ANA BUSTORFF
LAURA SOVERAL
GONÇALO WADDINGTON
CARLA MACIEL
JOSÉ WALLENSTEIN
CLARA ANDERMATT
IVO CANELAS
TERESA FARIA
CARLOS SANTOS

Argumento e Realização
MARCO MARTINS
Música
BERNARDO SASSETTI
Imagem
CARLOS LOPES (Cácá)
Guarda-Roupa
LUÍSA PINTO
Decoração
ARTUR PINHEIRO
Som
PEDRO MELO
Misturas
BRANKO NESKOV
Montagem
JOÃO BRÁZ E ROBERTO PERPIGNANI
Produtor
PAULO BRANCO
Portugal, 2005, cor, 1:1,85, DOLBY SRD, 102'


 

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