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JOSÉ DUARTE
Melhores CDs de 2002
Zé Eduardo Unit - A Jazzar no Cinema Português
Uma nova e também muito feliz investida do jazz português em 'standards' portugueses, depois da de «Sempre» por Carlos Martins. Desta vez um trio com o imprescindível Zé Eduardo em cbaixo, piano e direcção, mais Jesus Santandreu em tenor e Bruno Pedroso em bateria e um reportório que vai desde António Melo com «Cantiga da Rua» a Abrunhosa e o 'imortal' «Se Eu Fosse Um dia o Teu Olhar» e passando por Zé, o Afonso, Zé Mário Branco, Carlos Paredes e mais inevitáveis. Canções todas com seu importante significado aqui superiormente destruídas. Parabéns ao trio, com Jesus muito bem, sem pecados, mas saudáveis exageros, com a versatilidade de Bruno e a autoridade de Zé Eduardo, (talvez) o músico mais importante do recente jazz em Portugal. Jazz em Portugal tem a idade de Zé! Outro grupo de peças a favor da teoria de uma nova fusão europeia, a de jazz com folclore. Este urbano. Tal como na Escandinávia, no Leste europeu, em Espanha ou Itália e Grã-Bretanha também Portugal regionaliza jazz. Com a mainstream e o novo free, é esta a terceira via para derrubar o muro do beco. www.jazzportugal.net, 12.11.02
PATRICK DALMACE, JazzHot (França)
C’est incontestablement une riche idée qu’a eu le Cinéclub de Faro de demander au jazzman Zé Eduardo d’enregistrer ces neuf thèmes qui ont en leur temps - entre 1943 et 1997 - participé au succès de grandes classiques du cinéma lusitinien (avc en prime le thème de l’œuvre de Verneuil, «Les Amants du Tage»). Les auteurs de ces thèmes sont tous portugais et l’essentiel des compositions a été créé spécifiquement pour le cinéma. Elles ne sont pas à l’origine des pièces destinées à des jazzmen et c’est là justement que réside la richesse de l’idée du Cinéclub. Il n’est pas simple en effet de pouvoir accéder à des enregistrements de Zé Eduardo qui est pourtant depuis des années le porte-drapeau du jazz portugais et également un des responsables de l’émergence au milieu des années quatre-vingt, lorsqu’il enseignait au très réputé Taller de Musics de Barcelona, d’une jeune vague de jazzmen espagnols (Sambeat, Rossy, Bover, Reinoso et tant d’autres).
Zé a donc réinventé ces différentes pièces (le livret - sommaire - indique l’interprète original) pour en faire d’excellents moments de jazz qu’offre son Zé Eduardo Unit que l’on a pu écouter par le passé comme Big Band et qui se présente ici sous l’une de ses plus simples facettes : un trio hispano-portugais.
Initialement influencé par les contrebassistes blancs, Zé revendique aujourd’hui une sonorité plus noire e un style plus swinguant que l’on ne ressent pas nécessairement dans la totalité du disque mais que l’on perçoit toutefois dans le medley.
Le traitement free de «Grândola, Vila Morena» est pour le moins original quand on sait qu’il s’agit du thème du film «1er Mai 1975». Une approche analogue est dispensé au long du medley. La contrebasse de Zé émerge nettement sur ces deux thèmes tandis que le saxophone de Jesus Santandreu met en évidence la beauté de «Barco Negro», chanté en son temps par Amália Rodrigues. La Balada de Rita est également un moment de grâce pour Santandreu.
Zé pianiste. C’est une découverte dans «Pereginações». Pour la «Cantiga da Rua», Zé Eduardo a su arranger un jazz compatible avec l’atmosphère de fête populaire que requiert la composition.
Un disque destiné à ceux qui veulent savoir ce qui se fait «ailleurs» dans le monde du jazz.
Jazz Hot, Supplèment au nº 599, Avril 2003
J. Mª GARCÍA MARTÍNEZ, Cuadernos de Jazz (Espanha)Dícese en los textos del disco que ésta es una obra de encargo. Que la encargó el Cineclube de Faro y que el encargado fue Zé Eduardo. O sea, cine y jazz, o jazz y cine.
A Eduardo le conocemos, aunque haya llovido lo suyo desde que dejó su ciudad de adopción - Barcelona - por su Portugal de procedencia; en lo que toca al encargo de marras, es lástima que quien suscribe, aún versado en la materia, no se le alcance el pormenor de la cinematografía lusa como para identificar las piezas que han servido a Eduardo de inspiración. Salvo, claro está, Grândola Vila Morena de José Afonso, tantas veces citada y aquí evocada con el respeto que se merece. De ironía, ni res.
La fórmula de trío sin piano, escueta de suyo. Funciona en la medida en que funcionan los músicos. Pedroso es el tipo de baterista musculoso que sostiene da alas. En lo suyo no se anda con chiquitas ni con contemplaciones; Santandreu cumple con su difícil misión como los valientes o como quien muy leído/escuchado a Coltrane y a Rollins; Eduardo le saca lo que no está en los libros a las músicas tan distintas de Sérgio Godinho, José Mario Branco y Carlos Paredes. Sus relecturas son osadas en cuanto que carecen de falso pudor e inhibiciones. Uno, que le tenía perdida la pista, se sorprende de la extrema agresividad con que acomete sus solos. No le tenía por tal sino por un solista más bien apocado y pulcro.
Cuadernos de Jazz, nº 75, Março-Abril 2003
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MANUEL JORGE VELOSO
“O Passado e o Presente”
É justo começar por saudar o regresso aos estúdios do contrabaixista Zé Eduardo que, desde os idos de 70/80, se tem afirmado como figura decisiva na prática criativa e na actividade docente, nesta tão subestimada área musical.
Nascido de uma encomenda do Cineclube de Faro (...) A JAZZAR NO CINEMA PORTUGUÊS resulta das versões-jazz que o compositor reinventou a partir de diversas bandas sonoras, agora gravadas pelo Zé Eduardo Unit (ver desenho de José Carlos Fernandes) num magnífico CD.
Não querendo substituir-me à descoberta, pelo leitor, deste disco surpreendente, sublinharei antes do mais o impacte instrumental de próprio Zé Eduardo - um som profundo que há muito não se ouvia e uma dedilhação que constitui autêntica “pedrada” - e, ainda, o decisivo contributo do baterista Buno Pedroso e do saxofonista Jesus Santandreu, um dos mais contundentes tenores ibéricos do jazz actual.
Por outro lado, é imperioso enaltecer a invenção de Zé Eduardo na recusa do óbvio, ao transfigurar por completo (e, nalguns casos, com mordente ironia e radicalismo) originais “intocáveis” como o histórico Grândola, tornado clara alusão ao nosso fétido presente e, ao mesmo tempo, afirmação (ainda titubeante) de um renovado hino mobilizador; a evidente transformação em blues e o final à Albert Ayler de Barco Negro; a revelação, a uma nova luz, de Balada de Rita; ou a desconstrução de Se eu fosse um dia... ou Cantiga da Rua, a primeira subvertida na própria ordenação do tema e a segunda virando irresistível charanga à maneira de Pino Manafra. Diário de Notícias, Suplemento DnMais, 30.11.02
Fernando Magalhães
A Jazzar em Português É Que a Gente Se Entende A jazzar, a jazzar, José Eduardo, outro contrabaixista de créditos formados, fez obra séria em "A Jazzar no Cinema Português", gravado ao vivo com a sua "Unit" no Cineclube de Faro. Pegar em "standards" conotados com a sétima arte nacional como "Se eu fosse um dia o teu olhar; de Pedro Abrunhosa, "Balada da Rita" e "Os demónios de Alcácer-Quibir", de Sérgio Godinho, "Grândola, Vila Morena" e "Os índios da meia-praia", de José Afonso, "Eu vi este povo a lutar", de José Mário Branco, "Peregrinações", de Fausto ou "Verdes anos", de Carlos Paredes, não é tarefa para todos. Operação de alquimia, mudar o fato e refazer o feito. Eduardo não esquece em nenhuma ocasião a trave mestra melódica que sustenta cada composição mas constrói tão longe e
tão fortes quanto pode as paredes. Jesus Santadreu, no saxofone tenor, tem técnica e intuição apuradas, o que lhe permite fazer, com brilho, o que faz em "Grândola vila morena". O que para outros seria armadilha mortal, nele é via de "free", fazendo jus à revolução. O longo medley formado pelo par "Os demónios de Alcácer-Quibir"/"Eu vi este povo a lutar" junta o espírito dos Lounge Lizards, o grande jazz de costela "bluesy" swingante e uma grande intervenção, a rasgar, do contrabaixista. Que também é pianista, em segundo plano ou à boca de cena ("Peregrinações").
Zé Eduardo Unit - A Jazzar no Cinema Português
Ed. e distri. Cineclube de Faro - 8/10
Público, Suplemento Mil Folhas, 28.12.2002
GONÇALO FROTA
Para onde? Para o cinema. Em formato trio, Zé Eduardo, um dos mais prestigiados contrabaixistas nacionais, lança-se numa excelente homenagem ao cinema português, mais concretamente à celebração de belíssimas composições que, num
ou noutro momento, se cruzaram com a linguagem do cinema. Revelando uma inteligente e habilidosa apreensão dos originais, Zé Eduardo, Jesus Santandreu (saxofone) e Bruno Pedroso (bateria) procedem a eficazes desconstruções dos originais, a exemplo do que acontece com «Balada de Rita» (de Sérgio Godinho), em que a melodia resgatada pelo saxofone sobrevive a uma secção rítmica que parece responder a choques eléctricos, com belíssimos espasmos circulares. O melhor, no entanto, chega no trecho em que «Grândola, Vila Morena» se transforma em música fúnebre e percorre, de seguida, uma série de linguagens distintas, e «Cantiga da Rua», que funciona quase sempre enquanto fenomenal enviesamento da música popular.
Gonçalo Frota, Blitz, 21.01.2003
JORGE PINHO
Uma edição que merece todo o apoio, especialmente por ser constituída por excelente música e num ambicioso projecto que só consegue ser concretizado através de muito esforço. O contrabaixista Zé Eduardo, um dos mais reputados 'jazzman' portugueses (ao qual apenas falta a existência de registos
discográficos do seu trabalho), surge aqui acompanhado do saxofonista espanhol Jesus Santandreu (que também mostra amiúde talentos deste lado da fronteira) e do baterista Bruno Pedroso. Move-os o propósito de levar para os territórios da
música improvisada temas que ficaram mais ou menos célebres na História do Cinema feito em Portugal. Assim, de Costa do Castelo a Adão e Eva, passando por Verdes Anos, Kilas o Mau da Fita ou Os Demónios de Alcácer-Kibir, o caminho dista cerca de seis décadas. Aliás, algumas das músicas aqui recriadas pareciam estar já perdidas no tempo. Mas o trio Zé Eduardo Unit não só as recupera como as torna suas, incorporando a linguagem do jazz em temas cuja origem vai do fado à balada pop. O resultado é de louvar, com a conquista de uma unidade personalizada para este disco, explorando caminhos e conferindo novas tonalidades a músicas, afinal, intemporais.
Première, Fevereiro 2003
Classificado com 5 estrelas e Destaque: Uma edição imperdível do Cineclube de Faro, com versões jazz de temas de clássicos do cinema português.
ANTÓNIO RUBIO
Contrabaixista, violoncelista, pianista, compositor, arranjador, chefe de orquestra e professor. José Eduardo já pertence à história do jazz nacional.
Homem de ideias invulgares e de projectos inovadores na área musical, José Eduardo actuou por duas vezes em eventos do Cine Clube de Faro, recreando músicas de filmes portugueses realizados entre 1943 e 1995.
A direcção do Cine Clube e o músico entenderam que os trabalhos dos espectáculos deviam ser gravados. E assim aconteceu “Jazzar no Cinema Português”.
São nove os temas que José Eduardo transformou para o seu Unit, grupo composto por si próprio em contrabaixo e piano, Jesus Santandreu no sax tenor e Bruno Pedroso na bateria. A fórmula adoptada transporta para o mundo jazz moderno temas como “Barco Negro”, “Grândola Vila Morena”, Verdes Anos” e, até, “Cantiga da Rua”, entre outros, numa verdadeira festa de talento, virtuosismo e muita, muita técnica.
José Eduardo tem uma prestação como contrabaixista de um nível só ao alcance de uma cultura musical superior e reveladora da sua maturidade. O cinema português fica enriquecido com este CD inspirado em temas superiormente trabalhados.
António Rubio, Correio da Manhã, 10.12.2002
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Rui Branco
O músico Zé Eduardo, um dos mais destacados jazzmen nacionais, editou recentemente o CD "A Jazzar no Cinema Português", um projecto que apresenta 10 versões de canções e temas compostos para filmes portugueses. (...) Zé Eduardo forma com a sua Unit um trio de respeito. Para além da sua classe que como contrabaixista e, ultimamente, como pianista, o músico mostra aqui os seus dotes de arranjador (num recente Matosinhos em Jazz apreciámos igualmente as suas qualidades como... cozinheiro), transformando alguns temas bem conhecidos pelas suas peculiares melodias em empolgantes propostas jazzísticas.
Para levar em frente esta aventura contou com dois cúmplices, o saxofonista Jesus Santandreu, cujo tenor poderoso se mostrou peça fundamental nas construções de Eduardo, e o baterista Bruno Pedroso, um dos mais activos no panorama do jazz nacional, já com uma experiência bastante considerável.
Quem procurar ouvir ao vivo "A jazzar no cinema português" em Lisboa, em Aveiro, em Coimbra ou no Porto, não vai certamente dar o seu tempo por mal empregado. Que mais não seja para fruir de um som diferente, distante das investidas comerciais natalícias...
Jornal de Notícias, 15.12.2002
Jorge PinhoAí está um projecto de louvar que, por vários motivos, deverá passar despercebido à maioria. Longe das multinacionais, cada vez menos atentas ao jazz que se faz em Portugal, a edição deste Jazzar no Cinema Português surge através da mais improvável origem: o Cineclube de Faro. É na capital do Algarve que está sediado um dos mais dinâmicos focos de divulgação cinematográfica, responsável por ciclos e outras manifestações ligadas à Sétima Arte. Foi da direcção deste núcleo que partiu a ideia de solicitar ao contrabaixista Zé Eduardo, primeiro em 1999 e depois em 2001, a recriação de músicas que fizeram a história do cinema português. De O Costa do Castelo a Adão e Eva o percurso é longo. Musicalmente mais ainda, ou do primeiro não fizesse parte o famoso Cantiga da Rua e do segundo o também célebre Se eu fosse um dia o teu olhar (de Pedro Abrunhosa).
Inesperadamente (certamente que não!), o mais de meio século que separa as duas canções parece fazer todo o sentido na recriação feita pelo Zé Eduardo Unit - completado pelo saxofonista espanhol Jesus Santandreu e o baterista português
Bruno Pedroso. Jazzar no Cinema Português oferece uma unidade assinalável, como se as peças dele constantes fizessem parte do mesmo todo (e agora até fazem) e não fossem uma resenha histórica de várias épocas da música e da própria História do século XX - por aqui passam também temas de nomes como Sérgio
Godinho, Amália Rodrigues, Zeca Afonso, José Mário Branco, Fausto e Carlos Paredes.
As duas sessões promovidas pelo Cineclube de Faro terão corrido pelo melhor e passou-se à transposição para álbum - algo que muitas vezes falta ao jazz português, seja por falta de dinheiro ou simples desinteresse. Zé Eduardo é um dos mais importantes músicos nacionais, com uma carreira de quase três décadas,
que passa por Lisboa (foi fundador da Escola de Jazz do Hot Clube e da primeira Big Band de instrumentistas lusitanos), Barcelona, Barreiro (dirigiu a activa escola de jazz local) e Algarve (onde se encontra desde 1995), bem como a militância em inúmeras formações cá dentro e sobretudo no estrangeiro, e à qual falta essencialmente o testemunho dos discos. Neste caso particular, e por essa razão, a experiência não ficou condenada ao
esquecimento (ou as várias experiências). Jazzar no Cinema Português é um conjunto de nove temas (quase apetece, em certos casos, chamar-lhes standards...) pejados de memórias (cinematográficas e não só). Como qualquer boa versão que se preze, as do Zé Eduardo são, simultaneamente, respeitosas e
arrojadas, coesas e imprevistas (o "cimento" da secção rítmica a casar perfeitamente com a irreverência do saxofone de Santandreu). Pegam no original, até para sabermos onde começa o fio da meada, desenrolam-no ao sabor da impovisação e das suas imaginações e (aparentemente) voltam ao ponto de partida, numa espécie de baralha e torna a dar desconstrutivista onde as coisas
não ficam exactamente como estavam no início. Inesperado, portanto, e, por isso mesmo, tão agradável de (re)descobrir, num
álbum que apenas tem uma espécie de "parente próximo" em Sempre, onde o saxofonista Carços Martins também se ocupou de versões jazz de temas do cancioneiro português. Espera-se apenas que lhe confiam alguma da atenção que merece.
A Capital, 14.12.2002
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GRÂNDOLA - A introdução do tema sugere um clima dramático (uma certa opacidade) que acaba por não se concretizar.A estética claramente free assumida por Santandreu no solo improvisado adequa-se ao carácter simbólico do tema (revolução, explosão ruptura ...). O
suporte rítmico baseado em acentuações irregulares ajusta-se muito bem à opção estética assumida. DEMÓNIOS DE ALCÁCER KIBIR - Uma peça desenhada à Quarteto dito "clássico" de J. Coltrane. O solo expressionista de Santandreu (espasmos e esborrachamento das notas distorcendo o som numa visão apropriadamente demoníaca ...) e a intervenção sumptuosa do contrabaixo do Zé
Eduardo (rigor, pulsação apuradíssima - muito bom!) fazem desta uma das versões mais conseguidas do disco. o:p>
CONFEDERAÇÃO - A expressiva introdução espasmódica do contrabaixo de Zé Eduardo e o delicioso contraste que estabelece com a exposição ritmada mas lisa do tema por parte de Santandreu é um achado! Aqui a curta intervenção a solo do Bruno Pedroso parece-me bem adequada. O solo de Santandreu em up-tempo é de enorme intensidade expressiva e de grande criatividade. Um solo verdadeiramente bem construído!
PEREGRINAÇÕES- Mais uma vez o fantasma de Coltrane
presente. A sonoridade e a arquitectura do solo de Santandreu remete-nos directamente para o mundo do grande Mestre, neste caso nos diálogos que manteve com Duke Ellington. VERDES ANOS - Aí está outra excelente leitura jazzistica do tema em todos os domínios (sonoridades, clima, construção, articulações, síncopes, swing ...). Dois soberbos solos de Santandreu e de Zé Eduardo. Plenamente conseguido. A cereja do bolo? OS INDÍOS DA MEIA-PRAIA - Clima obsessivo e expressionista de Santandreu e, provavelmente, a melhor intervenção a solo do Zé Eduardo (estrutura perfeita e modulações de belo efeito).
CANTIGA DA RUA - Pelo carácter ligeiro da versão, se estivéssemos na clássica, diríamos tratar-se de um ... "divertimento". A abordagem rítmica começa por ser quase-arcaica (à New Orleans) e desenvolve-se para um tapete rítmico post-bop. A intervenção quase-experimental do solo de Zé Eduardo e a abordagem quase-circense de Santandreu criam um clima jubiloso com um final apoteótico que culmina com uma "indispensável" gargalhada em estúdio...
Em resumo: UM BELO DISCO QUE APETECE OUVIR! www.cineclubefaro.com, 30.10.02
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